terça-feira, 21 de julho de 2009

Palavrão


Está mais do que na hora de uma política pós-luta de classes.
Os conflitos, obviamente, estão aí o tempo inteiro, à disposição para a análise e a adesão.
Mas o papel da política não é meramente aderir a uma das partes e sim apontar uma saída satisfatória para as partes envolvidas, os demais segmentos e a sociedade como um todo.
A política da luta de classes tem seu desdobramento lógico na revolução, ou seja, na ação autolegitimada, acima da ordem jurídica constituída.
A bem da verdade, enquanto dura, a revolução é ação fora da lei, qualquer lei; e não há política sem lei.
A revolução, em função disso, não é somente antijurídica, mas também antipolítica.
E Clausevitz que me perdoe, mas a guerra não é a continuação da política por outros meios – guerra é uma coisa, política outra.
Além disso, a política da luta de classes não reconhece a legitimidade das classes (supostamente) antípodas.
Portanto, a política da luta de classes não serve como política de união nacional.
Ou, por outra, a política da luta de classes somente reconhece a união nacional como horizonte legítimo num contexto de hostilidade entre as nações.
Unir o Brasil com o objetivo de melhorar a situação do país no mundo e de proporcionar uma vida mais próspera a seu povo é objetivo mais do que louvável.
Desdenhar de objetivos humanistas mais amplos, que tenham como escopo um planeta mais habitável para todos, é algo que somente os defensores da luta de classes, em versão chauvinista podem sustentar.
Qual o cerne de uma política pós-luta de classes?
Algo que uma palavrinha abjurada pelos viciados em conflito expressa muito bem: conciliação.

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