domingo, 26 de julho de 2009

Enprol?


Imagino que, em maior ou menor medida, todos os povos tenham resistido à civilização em geral e ao letramento em particular.
Sim, em parte civilizar e educar envolvem coerção.
Por isso, são falaciosos os argumentos pedagógicos que põem todo o peso no lúdico ou em processos que valorizam somente o que é previamente significativo para o aluno.
O desenvolvimento intelectual tem um quê de artificial, de "forçação de barra".
Quando é o próprio indivíduo que identifica um caminho e força a barra por si mesmo, os resultados tendem a ser superiores: não existe alto desenvolvimento intelectual sem determinação pessoal.
Mas, para produzir resultados em massa, com grande repercussão civilizadora, é preciso que instituições poderosas utilizem todo o seu prestígio e incentivem e pressionem a maioria dos indivíduos a ingressar em percursos educacionais de longa duração e a incorporar em suas vidas hábitos de autocultivo intelectual.
É papel dessas instituições criar uma atmosfera social e cultural mais favorável ao estudo.
No Brasil, nem família, nem escola, nem igrejas, nem TV, nem as redes sociais, nem os partidos, nem os sindicatos, nem governantes, nem escolas de samba, nem clubes esportivos, nem instituções públicas diversas, como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Congresso Nacional etc. assumiram nitidamente esse papel.
O país precisa criar uma espécie de Estratégia Nacional de Longo Prazo pela Erradicação do Analfabetismo e Transformação do Letramento em Valor Cultural de Primeira Grandeza.
Esse seria o nome completo, mas o apelido poderia ser simplesmente Estratégia Nacional pró-Letramento (Enprol).
Os objetivos estão claros.
As instituições participantes seriam aquelas.
Que tal?

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