sexta-feira, 24 de julho de 2009

Livre lavrador


para eduardo rodrigues

Não reclamo de um autor ser difícil.
Reclamo, às vezes, de ele ser chato.
Mas se é chato e muito inteligente, relevo.
Porque o fundamental é ter o que dizer.
O pior defeito de um autor é produzir textos inúteis e irrelevantes, considerando-se, obviamente, que o inútil e irrelevante para mim pode não o ser para outras pessoas.
E o pior pode piorar: que tal alguém que não tem o que dizer e esconde sua vacuidade atrás de um estilo pseudoerudito, pomposo e rebuscado?
As Humanidades estão cheias dessa turma.
Se você encontrar um autor difícil, denso e relevante, o melhor a fazer é merecê-lo.
Não caia nas tentações do populismo literário e intelectual.
Que bom que um autor possa ser, ao mesmo tempo, fácil e profundo.
Mas um autor difícil e profundo também tem muito a oferecer.
E o mais chato dele talvez seja a perguntinha implícita: caro leitor, você não está precisando estudar um pouco (muito) mais?
E a autopiedade do leitor reage: que cara chato!
O que não exclui a independência do leitor de procurar outra coisa, o que bem lhe aprouver, até mandar os livros às favas.
Porque, no duro, tudo é uma questão de liberdade e cultivo.

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