segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Iniquidade nos olhos dos outros


Quando os homens vão à guerra e não retornam ou então retornam mutilados, isso não é computado como vulnerabilidade do gênero masculino.
Mas quando as mulheres de um país invadido são estupradas pelos invasores, isso é computado como vulnerabilidade do gênero feminino.
Em Darfur, boa parte dos homens adultos e jovens morreu ou tornou-se inválida em virtude de conflitos armados; porém é somente enfocado o drama das mulheres obrigadas a criar sozinhas seus filhos pequenos em meio à violência e miséria extremas.
Outro exemplo de abordagem iníqua de gênero: na Nova Zelândia, o discurso pró-equidade étnica denuncia que a maioria dos presidiários naquele país é maori. No entanto, não há um discurso pró-equidade de gênero denunciando que a maioria dos presidiários no Brasil é masculina.
Mais um: quando o vírus HIV começou a vitimar mulheres em larga escala, o discurso pró-equidade de gênero denunciou que as mulheres, em virtude do machismo, tinham dificuldade em obrigar seus parceiros a usarem camisinha; no entanto, não houve nenhum discurso pró-equidade de gênero na época em que, a cada dez homens infectados, havia apenas uma mulher: por que ninguém se preocupou em investigar as razões que deixavam os homens tão expostos aos vírus?
Fala-se muito em negros, índios, mulheres etc. quando se fala em equidade. Porém, a cegueira fundamentalista de pelo menos parte dos chamados movimentos sociais não lhes permite enxergar as iniquidades que atingem os homens adultos, independentemente de serem negros, brancos, índios etc.
Está faltando equidade nos discursos sobre a equidade.

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